Indicadores e Métricas

DART explicada: 4 leituras antes de levar ao comite

DART mostra dias afastados, restricao ou transferencia. Entenda o que ele mede, o que esconde e como o comite deve ler o indicador sem distorcer a decisao.

Por 5 min de leitura
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Principais conclusões

  1. 01DART mede dias afastados, restricao ou transferencia e mostra impacto ja materializado.
  2. 02O indicador nao substitui TRIR nem LTIFR; cada um responde a uma pergunta diferente.
  3. 03A leitura certa combina DART com sinais leading, recorrencia por area e atraso de acao.
  4. 04Quando DART vira meta isolada, crescem retorno precoce, transferencia administrativa e subnotificacao.
  5. 05Andreza Araujo trata o indicador como ferramenta de decisao, nao como nota final do painel.

DART e o indicador que soma casos com dias afastados, restricao de trabalho ou transferencia de funcao. Ele importa quando a empresa precisa medir o impacto real do evento sobre a capacidade de seguir operando, e nao apenas contar acidentes com afastamento imediato ou registrar um numero solto no painel.

Em mais de 25 anos de EHS executivo e em mais de 250 projetos de transformacao cultural, Andreza Araujo viu o mesmo erro se repetir: o comite pega o DART como se fosse um retrato completo da seguranca, quando na verdade ele e uma leitura parcial do dano ja materializado. Em Muito Alem do Zero, a tese e simples: indicador bom e o que muda decisao, nao o que enfeita reuniao.

Definicao

DART e a sigla para days away, restricted or transferred, ou dias afastados, restricao ou transferencia. O indicador conta ocorrencias que tiram a pessoa do posto normal, seja porque ela precisou faltar, seja porque precisou ficar em atividade restrita, seja porque foi transferida para outra funcao enquanto se recuperava.

Na pratica, ele ajuda a ler severidade e impacto operacional, porque nem todo evento que entra no DART termina em afastamento longo, mas todo caso que entra ali ja consumiu capacidade da equipe. O artigo sobre TRIR, LTIFR e DART aprofunda a diferenca entre os tres, enquanto o artigo sobre indicadores leading mostra por que o painel nao pode depender so do dano ja feito.

4 leituras que o comite precisa fazer

A primeira leitura e de impacto. Quando o DART sobe, a operacao nao recebeu apenas mais um registro; ela perdeu tempo, ajuste ou disponibilidade de gente. Em setores com equipe enxuta, uma transferencia ou restricao pode pesar quase tanto quanto um afastamento formal.

A segunda leitura e de tendencia. Um pico isolado pode enganar, mas uma sequencia de casos mostra que a organizacao nao esta contornando a causa real. Em A Ilusao da Conformidade, Andreza Araujo alerta que numero controlado em planilha nao garante controle no campo.

A terceira leitura e de governanca. Se o DART cresce e o comite responde apenas com cobranca de meta, a discussao fica rasa. O indicador precisa abrir conversa sobre barreira fraca, retorno precoce, transferencia improvisada e desenho de tarefa que ainda adoece.

A quarta leitura e de aprendizado. Cada caso deveria gerar pergunta pratica: o que falhou antes do dano, o que teria evitado a restricao e qual decisao pode reduzir recorrencia no mesmo turno ou na mesma area?

DART, TRIR e LTIFR nao medem a mesma coisa

IndicadorO que mostraOnde ajuda mais
DARTCasos com dias afastados, restricao ou transferenciaImpacto operacional e severidade ja materializada
TRIRTotal de casos registraveis por horas trabalhadasPanorama mais amplo de ocorrencias registraveis
LTIFRTaxa de incidentes com perda de tempoComparacao entre unidades, plantas ou periodos

A diferenca importa porque o comite costuma misturar severidade com frequencia. DART nao diz sozinho se a operacao esta mais segura; ele diz como o risco ja entrou no resultado. O artigo sobre indicador sentinela ajuda a equilibrar essa leitura com sinais mais precoces.

Onde o DART engana a lideranca

O erro mais comum e transformar o DART em meta isolada. Quando isso acontece, a pressao recai sobre retorno precoce, transferencia administrativa e subnotificacao de restricao. O numero cai no painel, mas o problema continua vivo no posto.

Outro erro e usar o DART para comparar equipes sem contexto. Uma area com atividade pesada, manutencao constante ou exposicao recorrente pode ter perfil diferente de uma area administrativa, e a comparacao seca distorce a conversa. Nesses casos, o indicador pede recorte por processo, turno e tipo de evento.

Tambem e arriscado olhar so o mes corrente. Em operacoes com poucos eventos, um unico caso muda tudo, entao a leitura precisa considerar acumulado, tendencia e outro conjunto de sinais. O artigo sobre quase-acidente, indicador sentinela e indicador de barreira critica mostra como combinar niveis de leitura sem confundir um com o outro.

Como usar no painel sem distorcer a decisao

O uso correto do DART comeca quando a lideranca o lê como porta de entrada para analise, nao como nota final. O painel precisa responder tres perguntas simples: onde o caso apareceu, qual barreira deixou de funcionar e qual decisao pratica reduz repeticao no proximo ciclo.

Na rotina da gerencia, isso significa cruzar o DART com atrasos de acao, recorrencia por area e sinais leading. Se a unidade tem mais restricoes do que o esperado, vale olhar a exposicao real, a pressa de retorno e o apoio dado ao supervisor para decidir. Em Muito Alem do Zero, Andreza Araujo defende exatamente essa postura: medir para agir, nao medir para se tranquilizar.

Se a empresa quiser transformar o numero em aprendizagem, o passo seguinte e ligar o DART ao que antecede o dano. O artigo sobre indicador sentinela explicado e o artigo sobre indicadores leading ajudam a montar essa ponte sem depender de um unico KPI.

FAQ

DART e um indicador de frequencia?
Nao exatamente. Ele nao mede apenas quantas ocorrencias aconteceram, mas o efeito que elas tiveram sobre afastamento, restricao ou transferencia. Por isso, ele conversa com severidade e com impacto operacional.

DART substitui TRIR ou LTIFR?
Nao. Cada um responde a uma pergunta diferente. O DART mostra a carga do dano ja materializado, enquanto TRIR e LTIFR ajudam a enxergar panorama, comparacao e tendencia.

O que fazer quando o DART sobe?
A pergunta certa nao e quem errou, e sim qual barreira enfraqueceu antes do caso. A partir dai, a lideranca revisa tarefa, exposicao, retorno e aprendizado.

Por que o DART pode ser distorcido?
Porque a pressao por meta pode estimular retorno precoce, transferencia administrativa ou subnotificacao. Quando isso acontece, o numero melhora no painel e piora na realidade.

Quem deve acompanhar o DART mais de perto?
Gerente SST, lider de operacao e comite executivo, porque o indicador fala de impacto real sobre capacidade produtiva e sobre o custo humano do evento.

Se o DART virou apenas um numero de reuniao, o problema nao esta no indicador. Esta na forma como a empresa decide ler dano, transferencia e restricao. Quando a leitura melhora, o painel para de ser vitrine e volta a ser ferramenta de controle.

Para aprofundar essa leitura no seu contexto, a consultoria de Andreza Araujo pode ajudar a integrar DART, TRIR, LTIFR e sinais leading em um painel que leve a decisoes melhores de campo.

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Perguntas frequentes

DART e um indicador de frequencia?
Nao exatamente. Ele nao mede apenas quantas ocorrencias aconteceram, mas o efeito que elas tiveram sobre afastamento, restricao ou transferencia.
DART substitui TRIR ou LTIFR?
Nao. Cada um responde a uma pergunta diferente. O DART mostra a carga do dano ja materializado, enquanto TRIR e LTIFR ajudam a enxergar panorama, comparacao e tendencia.
O que fazer quando o DART sobe?
A pergunta certa nao e quem errou, e sim qual barreira enfraqueceu antes do caso. A partir dai, a lideranca revisa tarefa, exposicao, retorno e aprendizado.
Por que o DART pode ser distorcido?
Porque a pressao por meta pode estimular retorno precoce, transferencia administrativa ou subnotificacao. Quando isso acontece, o numero melhora no painel e piora na realidade.
Quem deve acompanhar o DART mais de perto?
Gerente SST, lider de operacao e comite executivo, porque o indicador fala de impacto real sobre capacidade produtiva e sobre o custo humano do evento.

Sobre a autora

Andreza Araújo

Especialista em Cultura de Segurança · Executiva Sênior de EHS

Andreza Araújo é especialista em cultura de segurança e executiva sênior de EHS, com mais de 25 anos de experiência em meio ambiente, saúde e segurança. É engenheira civil e engenheira de segurança do trabalho pela Unicamp, mestra em Diplomacia Ambiental pela Universidade de Genebra e concluiu estudos em sustentabilidade no IMD, na Suíça. Atuou como Global Head de EHS em ambientes Fortune 500, liderando programas de transformação cultural em operações multinacionais. Representou o Brasil como palestrante na ONU, em Paris, e discursou na Organização Internacional do Trabalho, em Turim. É autora de mais de 16 livros sobre cultura de segurança em português, espanhol, inglês e alemão. Seu trabalho já recebeu mais de 10 prêmios de EHS, incluindo dois reconhecimentos de Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo.

  • Engenheira Civil e de Segurança (Unicamp)
  • Mestra em Diplomacia Ambiental (Universidade de Genebra)
  • Certificação em Sustentabilidade (IMD Suíça)
  • Gestão de Pessoas e Coaching (Ohio University)
  • Palestrante na ONU em Paris, representando o Brasil
  • Palestrante na OIT em Turim
  • LinkedIn Top Voice
  • Reconhecimento de Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo (2x)

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