Cultura de Segurança

Como a Unilever levou uma agenda de segurança a 19 países e 34 fábricas

O caso Unilever mostra como uma agenda regional de segurança pode combinar comportamento, planejamento, proteção de máquinas, liderança e registro diário em 19 países, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição.

Por 8 min de leitura
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Principais conclusões

  1. 01Uma agenda regional de segurança precisa transformar princípios em rotinas reconhecíveis no trabalho real.
  2. 02Programas diferentes devem ter papéis claros para comportamento, planejamento, máquinas, direção e registro.
  3. 03Cobertura de 19 países, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição mede escala, não prova sozinha redução de acidentes.
  4. 04Indicadores de alcance precisam ser combinados com evidências de campo, barreiras verificadas e decisões de parada.
  5. 05A liderança local precisa ter autoridade para agir, enquanto a diretoria remove obstáculos que a operação não consegue resolver.

Quando uma agenda de segurança precisa alcançar 19 países, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição, o desafio não é apenas publicar uma diretriz regional. A decisão precisa sobreviver às diferenças de operação, liderança, legislação e maturidade local.

Foi esse o contexto da atuação de Andreza Araujo como diretora de Segurança e Sustentabilidade Ambiental da Unilever na América Latina. O histórico profissional público da autora registra a liderança da agenda em 19 países, envolvendo aproximadamente 30 mil empregados, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição. O caso não autoriza inventar uma taxa de acidentes ou atribuir causalidade que a fonte não informa. Ele permite, porém, analisar como uma transformação regional pode ser construída com programas concretos, cadência e presença da liderança.

A tese deste estudo é simples. Uma cultura de segurança regional não nasce quando a matriz distribui uma apresentação; ela começa quando a organização transforma princípios em rotinas que líderes e equipes conseguem reconhecer no trabalho real.

Cenário inicial

Uma operação distribuída por 19 países convive com diferentes volumes, processos, fornecedores, idiomas e condições de trabalho. A mesma intenção corporativa pode produzir resultados muito diferentes quando chega a uma fábrica, a um centro de distribuição ou a uma equipe que trabalha fora da unidade.

O ponto de partida documentado do caso era uma agenda ampla de Segurança e Sustentabilidade Ambiental, com responsabilidade regional sobre aproximadamente 30 mil pessoas. Essa escala cria uma tensão operacional. A liderança precisa manter uma direção comum sem transformar a gestão em um pacote de exigências desconectadas do campo.

Andreza Araujo descreve, em sua experiência executiva, que a cultura aparece na decisão cotidiana, e não apenas no material que a empresa declara. A mesma ideia está no centro de Cultura de Segurança: maturidade não se prova pelo discurso, mas pela consistência entre prioridade, comportamento e consequência.

Decisão

A decisão relevante foi tratar a segurança como uma agenda de liderança e execução, não como uma função isolada do departamento de SST. O histórico da Unilever registra programas com finalidades diferentes, entre eles Be Safe, 100 Days, Protection Of Machines, Safe Direction e Safety Journal.

Essa combinação mostra uma escolha de arquitetura. Um programa trabalhava o comportamento seguro; outro estabelecia uma janela de planejamento; outro concentrava atenção na proteção de máquinas; outro aproximava a direção da agenda; e o diário de segurança levava a conversa para a rotina. O valor não estava no nome das iniciativas, mas na possibilidade de conectar cada uma a uma decisão operacional.

O artigo Responsável por cultura de segurança em 90 dias ajuda a traduzir essa lógica para uma liderança que precisa organizar o primeiro ciclo. A transformação começa quando alguém define o que será verificado, por quem e com qual frequência.

Execução

A execução de uma agenda regional exige que a liderança preserve três elementos ao mesmo tempo. O primeiro é uma linguagem comum, para que riscos e responsabilidades não mudem de significado a cada fronteira. O segundo é uma rotina local, que permita ao supervisor reconhecer o risco no momento em que ele surge. O terceiro é uma forma de verificar se a diretriz foi incorporada ou apenas registrada.

O programa Be Safe aparece como um eixo de comportamento seguro. Seu papel, neste caso, não deve ser reduzido a campanhas ou mensagens motivacionais. Uma iniciativa comportamental só ganha valor quando ajuda a equipe a identificar o desvio, conversar sobre a condição que o produziu e decidir o que será feito antes da exposição.

O 100 Days introduzia uma cadência de planejamento com prazo definido. Um prazo pode ser útil porque transforma uma intenção vaga em compromisso verificável, embora ele não substitua a qualidade das barreiras. Se a unidade apenas corre para marcar a conclusão, a data vira um ritual de conformidade. Se o líder usa a janela para remover obstáculos, definir responsáveis e acompanhar pendências, o prazo passa a proteger a execução.

Protection Of Machines concentrava atenção em uma classe de risco cuja proteção depende de projeto, manutenção, isolamento e verificação. A iniciativa reforça uma tese recorrente de Andreza Araujo: EPI não deve funcionar como desculpa para deixar falhas anteriores sem tratamento. O controle precisa ser analisado na origem, na interface e no ponto em que a pessoa interage com a máquina.

Safe Direction aproximava a direção da agenda de segurança. Essa aproximação é decisiva em uma estrutura regional, porque decisões de produção, investimento, manutenção e pessoas alteram o risco antes que o técnico de SST tenha tempo de registrar o problema. Quando a direção participa, a segurança deixa de ser um pedido lateral e entra no mesmo espaço de decisão que prazo, qualidade e continuidade operacional.

O Safety Journal completava a arquitetura ao criar um instrumento de uso diário. Um registro só produz aprendizado quando a informação retorna para quem relatou, chega a quem pode corrigir e deixa evidência da decisão. Para aprofundar essa conexão entre relato e cultura, veja também as perguntas que revelam a cultura de segurança.

Resultado mensurado

O resultado quantitativo que pode ser afirmado com segurança é o alcance da agenda. Sob a liderança de Andreza Araujo, a função regional cobriu 19 países, aproximadamente 30 mil empregados, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição, conforme o registro profissional público usado como fonte deste caso.

Esses números medem cobertura e complexidade, não uma redução de acidentes. A distinção é importante. Sem um indicador de antes e depois nomeado, seria incorreto afirmar que os programas reduziram determinada taxa ou que uma iniciativa isolada causou um resultado específico. A força do caso está em mostrar como a transformação foi organizada em uma escala que exigia coordenação, não em fabricar um desfecho estatístico.

DimensãoPonto de partidaResultado documentado
Alcance geográficoAgenda regional com diferenças entre operações19 países sob a mesma liderança regional
População envolvidaNecessidade de alinhar milhares de pessoasAproximadamente 30 mil empregados
Ambientes industriaisUnidades com riscos e rotinas próprias34 fábricas
LogísticaInterfaces além da produçãoMais de 60 centros de distribuição
Arquitetura de gestãoAgenda ampla de segurança e sustentabilidadeProgramas de comportamento, planejamento, máquinas, direção e registro diário

Lições generalizáveis

A primeira lição é que escala muda o desenho da liderança. Uma solução que depende da presença permanente de uma pessoa central não escala. A direção precisa criar mecanismos para que a decisão correta seja tomada perto da operação, com critérios que possam ser auditados.

A segunda é que programas complementares precisam ter papéis diferentes. Be Safe, 100 Days, Protection Of Machines, Safe Direction e Safety Journal não devem ser empilhados como campanhas. Cada um precisa responder a uma pergunta. Que comportamento deve mudar? Qual pendência precisa de prazo? Qual proteção física deve ser verificada? Que decisão cabe à direção? Como a informação retorna?

A terceira lição é que cobertura não equivale a efetividade. Uma agenda pode atingir 19 países e ainda falhar em uma tarefa crítica. Por isso, a liderança deve combinar indicadores de alcance com evidências de campo, como barreiras verificadas, desvios tratados, decisões de parada e reincidência de falhas.

A quarta é que a cultura precisa ser traduzida para o cotidiano do supervisor. O líder de turno não controla uma abstração regional. Ele controla a conversa antes da tarefa, a liberação de uma máquina, a resposta ao relato e a decisão diante de uma pressão de prazo.

A quinta é que a fonte precisa limitar a conclusão. O caso é forte porque apresenta escopo, programas e responsabilidade regional documentados. Ele não autoriza atribuir números que não foram publicados. Essa disciplina protege a credibilidade do artigo e evita que uma história real seja transformada em propaganda.

O que aplicar na sua operação

Uma empresa que queira adaptar esse aprendizado pode começar com um mapa de cinco perguntas. Primeiro, qual risco exige uma rotina de comportamento seguro? Segundo, quais compromissos precisam de prazo e dono? Terceiro, que máquinas ou processos críticos exigem verificação física? Quarto, quais decisões precisam chegar à diretoria? Quinto, como o relato feito no campo retorna com uma resposta visível?

Depois, escolha uma unidade-piloto e registre o ponto de partida. Descreva a população, os processos, as interfaces e os controles existentes. Não use apenas a quantidade de treinamentos como evidência. Registre também a qualidade das conversas, a situação das barreiras, o tempo de resposta e as decisões que interromperam uma exposição.

O gerente de SST deve conduzir a estrutura, mas o gerente de operação precisa ser corresponsável pela execução. O supervisor deve ter autoridade compatível com o risco, enquanto a diretoria precisa revisar as barreiras que dependem de orçamento, projeto ou capacidade produtiva.

Uma reunião de decisão de risco com a diretoria é um bom lugar para apresentar esse mapa. Leve fatos, não apenas pedidos. Mostre a exposição, a barreira ausente, o responsável, o prazo e a consequência de manter a condição.

Andreza Araujo resume sua abordagem em três pilares, engenharia, criatividade e cuidado. A engenharia ajuda a entender a exposição e a barreira; a criatividade encontra formas de fazer a mensagem sobreviver à rotina; o cuidado impede que a pessoa seja tratada como variável descartável. Em mais de 250 empresas atendidas pela autora, essa combinação sustenta a ideia de que segurança precisa ser praticada na decisão, não apenas declarada no valor corporativo.

Conclusão

O caso Unilever mostra que uma transformação regional de segurança pode alcançar muitos países e ambientes sem depender de uma única campanha. O resultado documentado é a cobertura de 19 países, 30 mil empregados, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição, apoiada por programas com funções distintas.

A aplicação mais importante não é copiar os nomes das iniciativas. É construir uma arquitetura em que comportamento, prazo, proteção de máquinas, direção e registro diário se reforcem. Como Andreza Araujo defende em Cultura de Segurança, a cultura se revela quando a organização transforma intenção em prática repetida.

Se sua operação precisa organizar essa mudança com mais clareza, conheça o trabalho da Andreza Araujo e escolha o próximo risco que a liderança precisa tratar.

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Perguntas frequentes

O que o caso Unilever ensina sobre cultura de segurança?
O caso Unilever mostra que uma cultura regional precisa ser traduzida em rotinas com funções distintas. O histórico profissional público de Andreza Araujo registra uma agenda conduzida em 19 países, aproximadamente 30 mil empregados, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição, apoiada por programas de comportamento seguro, planejamento, proteção de máquinas, liderança e registro diário. A lição é construir mecanismos que conectem intenção, decisão e verificação.
Quais programas aparecem no caso da Unilever?
O registro profissional da atuação de Andreza Araujo na Unilever menciona Be Safe, 100 Days, Protection Of Machines, Safe Direction e Safety Journal. Eles aparecem com funções diferentes, relacionadas a comportamento seguro, planejamento com prazo, proteção de máquinas, aproximação da direção e uso diário de informação. O valor está na arquitetura combinada, não em tratar os nomes como campanhas isoladas.
O caso comprova uma redução de acidentes?
O caso documenta o alcance da agenda em 19 países, aproximadamente 30 mil empregados, 34 fábricas e mais de 60 centros de distribuição. A fonte consultada não apresenta, neste recorte, um indicador de antes e depois que permita afirmar uma redução específica de acidentes. Por isso, o artigo separa escala e cobertura de impacto estatístico e não atribui causalidade que não foi publicada.
Como adaptar o caso para uma empresa menor?
Uma empresa menor pode adaptar a lógica começando por cinco perguntas: qual comportamento precisa mudar, qual compromisso terá prazo, que proteção física deve ser verificada, qual decisão depende da direção e como o relato retorna ao campo. Depois, registre o ponto de partida, escolha uma unidade-piloto e combine indicadores de alcance com evidências de barreiras, desvios tratados e decisões de parada.
Qual é o papel da diretoria em uma agenda de segurança?
A diretoria precisa participar das decisões que alteram risco, especialmente quando a correção depende de orçamento, projeto, manutenção, capacidade produtiva ou prioridades entre áreas. A liderança executiva não substitui o supervisor no campo, mas remove obstáculos, define expectativas e verifica se as barreiras críticas recebem recursos e responsáveis.

Sobre a autora

Andreza Araújo

Especialista em Cultura de Segurança · Executiva Sênior de EHS

Andreza Araújo é especialista em cultura de segurança e executiva sênior de EHS, com mais de 25 anos de experiência em meio ambiente, saúde e segurança. É engenheira civil e engenheira de segurança do trabalho pela Unicamp, mestra em Diplomacia Ambiental pela Universidade de Genebra e concluiu estudos em sustentabilidade no IMD, na Suíça. Atuou como Global Head de EHS em ambientes Fortune 500, liderando programas de transformação cultural em operações multinacionais. Representou o Brasil como palestrante na ONU, em Paris, e discursou na Organização Internacional do Trabalho, em Turim. É autora de mais de 16 livros sobre cultura de segurança em português, espanhol, inglês e alemão. Seu trabalho já recebeu mais de 10 prêmios de EHS, incluindo dois reconhecimentos de Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo.

  • Engenheira Civil e de Segurança (Unicamp)
  • Mestra em Diplomacia Ambiental (Universidade de Genebra)
  • Certificação em Sustentabilidade (IMD Suíça)
  • Gestão de Pessoas e Coaching (Ohio University)
  • Palestrante na ONU em Paris, representando o Brasil
  • Palestrante na OIT em Turim
  • LinkedIn Top Voice
  • Reconhecimento de Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo (2x)

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