Segurança do Trabalho

Como a Bacardi encerrou uma planta sem acidentes

O caso Bacardi mostra como o encerramento de uma operação pode ser tratado como projeto de risco, com planejamento, treinamento, supervisão, comunicação e auditoria.

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cena industrial ilustrando como a bacardi encerrou uma planta sem acidentes — Como a Bacardi encerrou uma planta sem acidente

Principais conclusões

  1. 01Trate o encerramento de uma planta como projeto de risco, porque a fase final reúne mudanças, interfaces e tarefas não rotineiras.
  2. 02Defina sequência, responsáveis, critérios de liberação e autoridade para interromper cada etapa do desmonte.
  3. 03Prepare a equipe com treinamento específico e acompanhe o campo para verificar se o plano continua adequado.
  4. 04Use comunicação transparente e auditorias durante a execução, não apenas no encerramento documental do projeto.
  5. 05Aplique as lições do caso Bacardi sem prometer o mesmo resultado, distinguindo fatos registrados de hipóteses operacionais.

Encerrar uma planta não é apenas retirar equipamentos, concluir contratos e entregar o imóvel. Quando a produção termina, continuam existindo movimentação de pessoas, desmontagem, circulação de contratadas, energia residual, materiais armazenados e decisões pressionadas pelo prazo. O caso da Bacardi no Brasil, encerrado em 2021 sem acidentes, mostra o que muda quando o desmonte é tratado como uma operação de risco.

O ponto central não é celebrar um resultado isolado. É entender como uma mudança irreversível pode receber o mesmo rigor de uma operação estável, mesmo quando a organização já está olhando para o próximo destino. A experiência registrada no caso Bacardi, apresentada no livro Liderança Gold (Andreza Araujo, 2024), reúne um princípio aplicável a qualquer encerramento, transferência ou grande parada: o risco não desaparece quando a produção acaba; ele muda de forma.

Cenário inicial: por que o encerramento elevava o risco

O encerramento de uma planta elevava o risco porque concentrava mudanças operacionais, pressão de prazo e atividades não rotineiras no mesmo período. A equipe deixava de executar apenas tarefas conhecidas e passava a desmontar, movimentar, transportar, limpar e desmobilizar ativos.

Esse cenário também alterava a rede de responsabilidades. Pessoas que conheciam a rotina podiam ser transferidas, contratos podiam mudar e empresas especializadas podiam assumir partes do trabalho. Conforme a experiência da Andreza Araujo em operações industriais, agrícolas, de mineração, construção e cadeia de suprimentos, o controle precisa acompanhar a decisão que cria a exposição, não apenas a atividade que aparece no cronograma.

O acervo editorial registra que a Bacardi encerrou a produção no Brasil em 2021 e tratou o desmonte como um projeto de alto risco. O caso não fornece uma estatística detalhada de exposição ou horas trabalhadas, portanto não é correto atribuir a ele uma taxa de redução que não foi publicada.

Decisão: transformar o desmonte em projeto de segurança

A decisão que diferenciou o caso foi enquadrar o encerramento como um projeto de alto risco, e não como uma etapa administrativa do fechamento. Essa escolha alterou a pergunta da liderança, que deixou de ser apenas quando terminar e passou a incluir sob quais condições cada fase poderia avançar.

Um projeto desse tipo precisa definir escopo, sequência, responsáveis, critérios de liberação e autoridade para interromper uma atividade. Também precisa explicitar quais mudanças exigem nova avaliação, porque uma condição segura na retirada de um equipamento pode deixar de existir quando a área é parcialmente desmontada.

Para a diretoria, a decisão é útil porque conecta segurança a governança de mudança. Uma reunião de decisão de risco, como a descrita em um roteiro para discutir risco com a diretoria, deve sair com donos, prazos e critérios verificáveis, em vez de terminar com uma aprovação genérica.

Execução: cinco controles que sustentaram a mudança

A execução do caso Bacardi foi sustentada por planejamento minucioso, treinamento específico, supervisão contínua, comunicação transparente e auditorias. Esses controles não funcionam como uma lista decorativa, porque cada um reduz uma incerteza diferente do desmonte.

Planejamento minucioso. O plano organiza a sequência das atividades, identifica interfaces e antecipa condições que poderiam interromper a tarefa. A sequência importa porque desmontar fora de ordem pode alterar estabilidade, acesso, circulação ou disponibilidade de energia.

Treinamento específico. A equipe precisa conhecer o trabalho que será executado naquela fase, incluindo equipamentos, ferramentas, rotas, limites e resposta a desvios. Treinamento genérico não substitui a preparação para uma atividade que não pertence à rotina normal da planta.

Supervisão contínua. A presença da liderança ajuda a verificar se o plano continua adequado quando a condição real se afasta do previsto. Supervisão não é vigilância permanente sobre cada gesto; é capacidade de decidir antes que uma mudança local se transforme em exposição grave.

Comunicação transparente. Pessoas que sabem o que está mudando conseguem reconhecer interfaces, fazer perguntas e comunicar condições inesperadas. A comunicação também evita que o trabalhador interprete a urgência do encerramento como autorização para aceitar atalhos.

Auditorias. A auditoria precisa verificar controles em campo, e não apenas confirmar a existência de documentos. Uma checagem de barreira crítica antes de tarefa não rotineira, como mostra o guia de verificação de barreiras, deve testar se a proteção está disponível, compreendida e praticável.

Resultado mensurado: o que o caso permite afirmar

O resultado mensurado que pode ser afirmado com segurança é que a Bacardi encerrou a produção no Brasil em 2021 sem acidentes, conforme o caso registrado no acervo editorial de Andreza Araujo. Esse resultado é relevante porque ocorreu durante uma mudança de alto risco, mas não autoriza concluir que qualquer encerramento produzirá o mesmo desfecho.

DimensãoAntes do encerramentoDurante o desmonte
Tipo de trabalhoProdução em operaçãoDesmobilização e atividades não rotineiras
Risco dominanteRiscos da rotina produtivaInterfaces, movimentação, desmontagem e mudança de condição
Controle destacadoRotinas operacionaisPlanejamento, treinamento, supervisão, comunicação e auditoria
Resultado informadoNão detalhado no caso consultadoEncerramento sem acidentes

A tabela não deve ser lida como prova de causalidade estatística. Ela organiza o que está documentado e separa fato de interpretação. Essa disciplina é necessária em segurança do trabalho, cuja análise precisa proteger a decisão sem transformar um caso real em promessa de resultado.

Lições generalizáveis para outras mudanças

A primeira lição é que o risco pode aumentar quando a organização acredita que a operação já está terminando. A atenção da liderança tende a migrar para custo, prazo e comunicação externa, embora a fase final possa concentrar atividades que nunca foram executadas daquela maneira.

A segunda lição é que a mudança precisa de um responsável operacional claro. Quando todos participam e ninguém decide, os conflitos de sequência permanecem sem tratamento. O dono da mudança deve saber quais condições liberam o próximo passo, qual evidência precisa ser apresentada e quem pode interromper a atividade.

A terceira lição é que contratadas não devem receber apenas uma ordem de serviço. Elas precisam conhecer a sequência, as interfaces e os critérios de parada que fazem parte do projeto. O risco de uma contratada pode nascer de uma decisão tomada pela organização contratante, cuja responsabilidade não desaparece com a terceirização.

A quarta lição é que auditoria deve ocorrer durante a execução. Uma auditoria feita apenas no encerramento pode comprovar que documentos foram arquivados, mas não mostra se a barreira foi usada quando a condição mudou.

O que aplicar na sua operação

Uma organização que vai fechar, transferir ou desmobilizar uma unidade pode começar por uma revisão executiva de cinco perguntas. O objetivo não é criar burocracia adicional, mas revelar qual decisão ainda está sem dono.

  • Qual fase do projeto reúne maior energia, movimentação ou exposição de pessoas?
  • Quais tarefas são não rotineiras e exigem treinamento específico?
  • Que mudança de condição obriga a interromper e reavaliar a sequência?
  • Qual líder estará presente para decidir quando o plano deixar de refletir o campo?
  • Que auditoria comprovará, durante a execução, que as barreiras continuam praticáveis?

O levantamento de perigos deve acompanhar cada etapa, porque o risco da retirada de uma linha, da limpeza de uma área e do transporte de ativos não é necessariamente o mesmo. A referência sobre identificação de perigos antes da mudança, apresentada no artigo HAZID explicado em quatro momentos, pode ajudar a estruturar essa conversa, desde que o método seja adaptado ao contexto real e não usado como formulário automático.

Conclusão: fechar a operação não encerra a responsabilidade

O caso Bacardi mostra que uma planta pode encerrar sua produção sem acidentes quando a organização trata a desmobilização como um projeto de risco, prepara as pessoas, acompanha a execução, comunica as mudanças e audita as barreiras. O valor do caso está menos na excepcionalidade do resultado e mais na lógica de gestão que o tornou possível.

A liderança que pretende repetir essa qualidade de decisão não deve copiar uma lista. Deve perguntar quais condições mudam no próprio contexto, qual etapa concentra o maior risco e que evidência será exigida antes de avançar. Segurança, nesse cenário, não é um anexo do fechamento. É uma condição para que a mudança termine de forma responsável.

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Perguntas frequentes

O que o caso Bacardi ensina sobre encerramento de planta?
O caso Bacardi ensina que o encerramento de uma planta deve ser tratado como projeto de risco, e não como simples desmobilização administrativa. No Brasil, a produção foi encerrada em 2021 sem acidentes, conforme o caso registrado no acervo editorial de Andreza Araujo. A preparação incluiu planejamento minucioso, treinamento específico, supervisão contínua, comunicação transparente e auditorias. A lição não é copiar uma lista, mas adaptar esses controles às mudanças de energia, movimentação, contratadas e responsabilidades que aparecem em cada fase.
Quais controles são necessários para desmobilizar uma operação com segurança?
Os controles necessários incluem planejamento da sequência, treinamento específico para as tarefas, supervisão contínua, comunicação clara e auditorias em campo. O plano também deve definir responsáveis, critérios de liberação e condições que exigem interrupção ou nova avaliação. Esses controles se complementam, porque o planejamento reduz incerteza, o treinamento prepara a equipe, a supervisão acompanha a condição real, a comunicação expõe mudanças e a auditoria verifica se a barreira continua praticável durante o trabalho.
Como lidar com empresas contratadas durante o encerramento de uma planta?
As empresas contratadas devem receber mais do que uma ordem de serviço. Elas precisam conhecer a sequência do projeto, as interfaces com outras equipes, os perigos específicos da fase e os critérios de parada. A organização contratante deve manter responsabilidade sobre as decisões que criam exposição, ainda que a execução seja terceirizada. Reuniões de alinhamento, verificação de competência, supervisão proporcional ao risco e auditorias durante o serviço ajudam a evitar que a pressão pelo prazo produza atalhos.
Como medir se uma mudança de operação está sendo controlada?
Uma mudança está sendo controlada quando a liderança consegue mostrar quais etapas foram liberadas, quais barreiras foram verificadas, quem responde por cada decisão e o que acontece quando a condição real diverge do plano. O indicador não deve ser apenas a quantidade de documentos concluídos. Registros de treinamento específico, auditorias em campo, desvios tratados, interrupções justificadas e decisões de reavaliação oferecem evidências mais próximas da qualidade do controle.
Qual é a principal recomendação de Andreza Araujo para mudanças de alto risco?
A principal recomendação extraída do caso é aproximar liderança, planejamento e execução. Em vez de deixar a segurança como revisão final, a organização deve envolver a liderança na definição da sequência, dos critérios de liberação e das condições de parada. O caso Bacardi, apresentado no acervo de Andreza Araujo e relacionado ao livro Liderança Gold, reforça que presença, comunicação e supervisão precisam acompanhar a mudança enquanto ela acontece, pois o risco pode se transformar a cada etapa.

Sobre a autora

Andreza Araújo

Especialista em Cultura de Segurança · Executiva Sênior de EHS

Andreza Araújo é especialista em cultura de segurança e executiva sênior de EHS, com mais de 25 anos de experiência em meio ambiente, saúde e segurança. É engenheira civil e engenheira de segurança do trabalho pela Unicamp, mestra em Diplomacia Ambiental pela Universidade de Genebra e concluiu estudos em sustentabilidade no IMD, na Suíça. Atuou como Global Head de EHS em ambientes Fortune 500, liderando programas de transformação cultural em operações multinacionais. Representou o Brasil como palestrante na ONU, em Paris, e discursou na Organização Internacional do Trabalho, em Turim. É autora de mais de 16 livros sobre cultura de segurança em português, espanhol, inglês e alemão. Seu trabalho já recebeu mais de 10 prêmios de EHS, incluindo dois reconhecimentos de Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo.

  • Engenheira Civil e de Segurança (Unicamp)
  • Mestra em Diplomacia Ambiental (Universidade de Genebra)
  • Certificação em Sustentabilidade (IMD Suíça)
  • Gestão de Pessoas e Coaching (Ohio University)
  • Palestrante na ONU em Paris, representando o Brasil
  • Palestrante na OIT em Turim
  • LinkedIn Top Voice
  • Reconhecimento de Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo (2x)

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